segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Blues com Doug MacLeod




Doug MacLeod é um dos últimos Bluesmen que aprendeu com os velhos mestres e que continua a carregar com ele todo o valor da tradição. No mundo dos Blues, Doug Macleod é conhecido pela qualidade dos seus álbuns , pela sua voz quente cheia de alma e pelas actuações ao vivo que têm fama de ser inesquecíveis.
Vindo de St. Louis, Macleod tornou-se hoje num dos mais respeitados músicos de toda a cena Blues. Na sua forma de tocar podemos destacar o seu poder rítmico e a sonoridade de grande personalidade que sai da sua velha guitarra National.

www.doug-macleod.com/
7 Março, sexta-feira, 21h45

Googueés





Conto-vos uma história…
Foi de fraldas que assisti ao meu 1º espectáculo.
Convidei os meus pais, a chupeta e o óóoo e fomos conhecer a arte de perto.
De olhos e ouvidos bem abertos, vi e ouvi muitas novidades; Num castelo nas nuvens, rebolei, vi o sol e a lua e viajei de barco; Vi estrelas e bolinhas, dancei de mão de dada e toquei instrumentos.
Conheci animais e outros amigos, vi magias de perto e pós de prilimpimpim a sério; Conheci um dragão simpático, brinquei aos príncipes e princesas, andei de cavalo e dancei ao som de músicas suaves.
Um dia mágico para todos, um dia em que, de forma especial, troquei olhares, sorrisos e mimos. Nunca me vou esquecer do que não me lembro muito bem, pois foi um dia mesmo, muito especial… Um dia registado no meu álbum de bebé, com fotos e comentários, como um acontecimento sublime.
O meu 1º espectáculo.
Ass. Bebé

1 Março, sábado, pelas 15h30 e 16h30
Para bebés dos 0 aos 36 meses

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Nancy Vieira





Nancy Vieira, a revelação de uma nova estrela da música de Cabo-Verdiana, em Concerto nos Paços da Cultura

Na comemoração do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, os Paços da Cultura promovem um concerto de música com a cabo-verdiana Nancy Vieira, na próxima sexta-feira, dia 22, pelas 21h45.

"Lus" é o título do terceiro álbum e consequente espectáculo da cantora cabo-verdiana Nancy Vieira. Nele, Nancy Vieira aposta no cruzamento das sonoridades cabo-verdianas, como a morna, a coladeira, o funaná e o batuque, com sons de outras paragens, nomeadamente do Brasil (samba e bossa nova, já adoptados como géneros musicais em Cabo Verde) e da América Latina - Peru (landón) e Cuba (danzón e son). Trata-se, enfim, de um encontro entre as raízes cabo-verdianas e uma universalidade musical.
Sendo um disco com uma sonoridade totalmente acústica, o novo álbum/espectáculo de Nancy Vieira realça não só a sua inegável qualidade vocal, mas também a qualidade musical do reportório seleccionado. Os arranjos, na sua maioria do também produtor musical Jorge Cervantes, tendem para uma assumida simplicidade.
Ao lado de composições de alguns dos melhores autores cabo-verdianos da actualidade, tais como Teófilo Chantre, Jon Luz, Princezito e Vadú, encontramos um tema da cantora, que divulga pela primeira vez a sua faceta de autora/compositora em “Vivê Sabin”.
Lus é um testemunho de tradição e de modernidade, de coragem e de amor, de paz e de luta, de destino e de saudade, de nostalgia e de alegria, de esperança e de festa, de uma cabo-verdiana no século XXI.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

No Limite da Sedução


Quando estas fotografias foram tiradas, no percurso da inquietação de Jorge Guerra, em Portugal vivia-se ainda, com aquelas raras e conhecidas excepções, no limbo do perfeccionismo salonista, com temas acomodados á situação e esperança de mostra em espaço e olhar corporativo.
Entre 1965 e 1968, anos quentes onde se queimavam as últimas modalidades da contracultura e da contestação, Jorge Guerra fotografa em Londres, Veneza, Lisboa e no México estas imagens. São um resumo das contradições da sociedade e da cultura da época e, olhando-as, olhamos também as razões porque valia a pena, então, lutar. E é um grupo de potenciais contestatários que aqui reconhecemos, tanto mais autêntico porque representa diferentes margens do social e diversos apelos irrecusáveis do imaginário da frustração na, ao que dizia, próspera economia dos anos anos sessenta: as profissões pré-industrais mostrando-se, ainda irrecusáveis, na capital do país como no México mais profundo, a degradação idêntica dos rostos e dos muros, o medo presente no olhar furtivo do suburbano, os nossos fantasmas a congregarem-se naquela impressionante perseguição que, em Lisboa, uma velhinha em passo alucinante, parece desenvolver na peugada de uma jovem desprevenida. Como todos nós, num mundo de perigos inesperados e muitas tensões.
Jorge Guerra, munido de uma cultura que é, ainda ocidental e não de globalização, sugere-nos indícios de um imaginário que nos é muito caro, porque com ele faziamos as nossas pesquisas e quadros de experiência – numa imagem irónica, os empregados da city bancária, em Londres, o histrionismo do submundo italiano dos pequenos e indizíveis negócios, todo um molho de ideais que cai, rosto abaixo num desalentado manifestante londrino.
Esta fotografia deve alguma coisa a Cartier Bresson e à sua intervenção fotográfica. Trata-se aqui de acontecimentos que poderemos chamar de decisivos, porque congregam toda a interpretação do mundo. Mas há qualquer coisa de novo nestas imagens, alheio à insustentável metafísica de Bresson, que é o peso do corpo. Sentimos estes corpos na sua densidade e espessura, nos ombros direitos de um sapateiro do México, estuante de reconhecimento de si, na insegurança dos homens da city, no afã mafioso com que estereotipados italianos tentam crescer a partir de uma estatura pouco lisongeira. Sentimos quem está bem e quem está mal no corpo e na vida. E sabemo-lo porque um cenário bem definido os caracteriza e a inquietação de um olhar os quís assim.
Por isso se torna indispensável ter lido – ou ter visto depois - a Morte em Veneza, para avaliar o abismo que o rosto displicente e narcísico daquele adolescente que olha as águas do canal da cidade do Pó, pode despertar em nós, através de um sentimento de “já sentido”, com que se constrói a memória.
É neste limite do referente e do sábio investimento da cultura que a fotografia de Jorge Guerra suspende a evocação do “já sentido” e insinua a sedução.

Exposição patente até 9 de Março de 2008

Mafalda Arnauth